Essa foi retirada do blog antigo, e originalmente enviada para mim por um grande amigo. Valeu Nareba!
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que eu sei
Que a morte de tudo o que eu acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silencio
Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que triste
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
E a outra metade é saudade
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas
com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de
sentimento
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz
que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade é um vulcão
Que o medo da solidão que convive comigo se afaste ou que ao menos se
torne suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter
dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer
aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para
faze-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor…
E a outra metade também.
(Autor desconhecido)
