Aos meus Pais (ou “O que meus pais – infelizmente – não viram”)

28 01 2009

O principal motivo de estar escrevendo hoje é o fato de essa semana ter uma coincidência… 

No sábado (24/01) completaram dois meses do falecimento de meu pai… E hoje (28/01) completam-se 11 anos do falecimento de minha mãe…

Escrevo isto como uma forma de lembrar-me deles… Segue:

É engraçado olhar em retrospecto, e ver o tanto de minha vida que já se passou…

Minha mãe não me viu terminar o colégio, nem entrar na faculdade…

Meu pai viu… Mas sempre lembrando dos compromissos difíceis que esses eventos significavam…

Não me viu começar a ter sucesso na carreira que eu tinha acabado de iniciar naquela época… nem viu meu primeiro salário com mais de 3 dígitos…

Não viu minha alegria ao receber elogios de um trabalho bem feito… Nem as horas de stress que ele causou…

Não viu o tempo que eu passei no Rio, trabalhando de domingo a domingo…

Meu pai viu… E apoiou!

E também não viu o orgulho e o apoio dele quando eu decidi trocar um emprego de 6 anos por outro…

Não viu meus amores, nem minhas desilusões…

Não viu meus amigos (novos e antigos) me dando apoio nas horas mais complicadas…

Meu pai também não viu… Embora estivesse presente, tinha suas próprias desilusões pra cuidar…

Não conversamos sobre “o Universo, a vida e todas as outra coisas” ( = 42)…

Ela não viu as vezes em que conversei com meu pai sobre “o Universo, a vida e todas as outras coisas” ( = 42)…

Nem como os olhos dele se enchiam de lágrimas por ela não estar ali conosco…

Ela não viu o Windows 98… nem 0 ME. o 2000, o XP, o Vista, o iPod, a Internet, e mais um monte de coisas de tecnologia…

Meu pai até viu… Mas para ele, isso era apenas coisa do trabalho do filho nerd…

Ela não viu o Lula ser eleito (nem o país continuar exatamente igual)… Nem o Brasil ser Penta… Nem o Obama ser eleito… 

Meu pai até viu… mas a coisa continuou a mesma para ele também…

Meus pais não viram sua primeira neta (minha sobrinha Yasmim, nascida em 01/01/2009)…

Não viram a felicidade de meu irmão ao ser pai… 

Não me viram formado (coisa que eu espero realmente que um dia aconteça)…

Não me viram casar, ter filhos, netos, etc… (coisa que eu também espero que um dia aconteça)…

Não viram a falta que fazem… Falta que as vezes tento esquecer, minimizar, deixar de lado…

Nem as lágrimas que insistem em correr pelo meu rosto agora…

Nem a vontade tremenda que eu tenho de abraçá-los…

Dedico então este post a meus pais, estejam onde estiverem, por terem me dado a oportunidade de ser o que sou, e estar aqui 27 anos, 7 meses e 5 dias depois do meu nascimento escrevendo sobre eles…

Um grande abraço, amigos…